Entramos numa fase dramática da pandemia, gostaria de dizer que estamos na pior fase, mas não é possível ter certeza. O cenário ainda pode piorar muito e não percebemos a curto prazo qualquer medida eficiente para conter o vírus.

            Está cada vez mais rotineiro receber notícias diárias da morte de pessoas conhecidas, que trabalham na mesma empresa, que moram na mesma cidade ou que possuem algo em comum e estão unidas pelas redes sociais.

            O problema é que temos poucas forças para reagir diante de uma pandemia que se instalou neste enorme território brasileiro, com um governo omisso que nunca assumiu o controle efetivo ou reconheceu a gravidade da situação.

            Podemos seguir exemplos de sucesso, como da Austrália, com um governo de centro-direita (Partido Liberal) desde o início da pandemia adotou medidas de restrição, controle fronteiriço, monitoramento de casos e união política contribuíram para o índice de apenas 909 mortes, numa população superior a 24 milhões Enquanto sofremos com mais de 3 mil mortes diárias, por lá os eventos com públicos começam a ser liberados.

            O sucesso de um plano de contingência do vírus depende da articulação dos poderes federais e estaduais, criando restrições severas no deslocamento e controlando as fronteiras internacionais e estaduais. Algo quase impossível de ocorrer no curto prazo.

            Porém devemos cobrar ações efetivas dos governos municipais, até pela proximidade e facilidade para cobrar os resultados das ações. Por exemplo, em Nova Odessa o boletim de 12/08/2020 apontava a existência de 172 pessoas em isolamento domiciliar, já o último boletim de 26/03/2021 mostra que temos no momento 583 pessoas isoladas em suas casas.

            Um número alto, considerando que são dados oficiais e que muitos não procuram o serviço de saúde. O primeiro foco de atenção do atendimento da Saúde Municipal deveria ser com estas pessoas, mas elas são encaminhadas de volta ao seus lares com alguns remédios e sem nenhum tipo de apoio, abandonadas à própria sorte.

            Quais seriam as ações necessárias:

  • Acompanhamento da Assistência Social para verificar em que condições será feito o isolamento;
  • Quantidade de pessoas que moram na mesma residência;
  • Caso more sozinho ou com pessoas idosas, como será este isolamento;
  • Rastrear os últimos contatos da pessoa contaminada e realizar testes em todos.
  • Agilizar a resposta do teste, para no máximo 2 dias.
  • Formar uma equipe de apoio, coordenada pela Promoção Social, para acompanhar as necessidades dos isolados (compra de alimentos, visitas a bancos e outros locais de extrema necessidade).
  • Acompanhamento 24 horas, por WhatsApp, para que as pessoas isoladas não precisem sair de casa.

            Neste momento temos muitas ações que são paliativas, tais como pagamento de auxílios emergenciais (Programa Nova Odessa Solidária) e entrega de cestas básicas e aumento de vagas nas unidades de atendimento. Porém se não for atacada a raiz do problema e de forma enérgica, para controlar a propagação do coronavírus, estaremos sempre correndo contra o tempo, com poucos resultados visíveis, restando apenas digitar “meus sentimentos” na timeline de amigos e familiares das vítimas. Até quando?

            Fonte Gráfico:
https://ourworldindata.org/covid-deaths?country=USA~FRA~AUS~BRA

 

Moisés Correia Jr.

 

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