O modelo de disputa adotado pela Confederação Brasileira de Futebol favorece a concentração de renda. Veja como foi a distribuição das premiações ao longo do ano. O Palmeiras recebeu R$ 216,38 milhões em prêmios na temporada de 2020, que terminou no último final de semana. Enquanto o seu principal rival, Corinthians, ficou com apenas R$ 21,35 milhões, ou seja dez vezes menos. Os times com mais investimentos publicitários, ganham mais prêmios, ficam mais fortes e atraem mais investimentos e assim o ciclo se perpetua.

            Claro que o futebol envolve a paixão de milhões de torcedores, mas antes disso é um negócio e o sucesso cada vez é alcançado por quem trata o clube como uma empresa, que precisa ser lucrativa para sobreviver. Por ser um país grande, o futebol se desenvolveu e cresceu com os campeonatos estaduais, somente a partir de 2003 é que foi adotado o sistema de pontos corridos, com todas as equipes se enfrentando em turno e returno.
Como resultado, as competições estaduais perderam espaço e importância. A principal consequência foi o enfraquecimento dos times médios e pequenos do interior do país. Hoje estas equipes lutam para sobreviver, num cenário que valoriza apenas os 20 times da série A do Brasileirão. Em 1980, por exemplo, o Campeonato Paulista contou com 20 times e foi jogado de 11 de maio até 19 de novembro. Este tipo de competição garantia a existência de vários times grandes por Estado e a manutenção dos demais, como São Bento, Comercial, América, Juventus, Marília entre outros times tradicionais do interior.

            Com o tempo reduzido no calendário e uma única competição nacional importante, ainda que separada em várias séries, a tendência foi a concentração de forças em poucas equipes, como já ocorre nos países europeus. Cada país europeu tem três ou quatro clubes principais, não seria diferente no Brasil, que antes de reduzir a importância das competições estaduais, contava com pelo menos 12 times grandes.

            A tendência é cada vez mais aprofundar esta concentração, em breve teremos poucos times dominando todas as competições, para tentar reverter este quadro a administração de cada clube terá que ser cada vez mais profissional, sobrará pouco espaço para paixões e improvisos dos dirigentes, e mesmo com tudo feito corretamente não será fácil se destacar, pois o investimento ficará restrito a poucos times. Quais serão os principais clubes do Brasil? Só o tempo dirá, por enquanto Palmeiras e Flamengo estão em vantagem.

Moisés Correia Jr.

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